- Efetue login ou registre-se para postar comentários
SEGUNDA PARTE - CAP. VI – Da Vida Espírita
§ Espíritos Errantes – q. 223 a 233
§ Percepções, sensações e sofrimento dos Espíritos – q. 237 a 256
§ Ensaio Teórico da sensação nos Espíritos – q. 257
Um breve resumo
-- Espíritos errantes - questões 223 a 233
A encarcanção é necessária para o aprimoramento da consciência espiritual. Ela caracteriza um estado transitório que oferece condições de colocar em prática os conhecimentos desenvolvidos e pode ser imposta em alguns momentos, desconsiderando a liberdade de escolha, o que lhe parece uma punição.
A erraticidade é o estado normal do espírito que ainda precisa reencarnar. Ele precisa da encarnação para se aprimorar. Quando não está encarnado, está como espírito errante, alma a penar, vivendo o vazio e a incerteza enquanto se prepara para a próxima encarnação. Sofrem estados de felicidade e de desgraça conforme a natureza das paixões desenvolvidas. São mais felizes à medida que se libertam das más paixões.
Após atingir a perfeição, o espírito não vive a erraticidade e nem a encarnação. Ele não precisa mais destes estados e experimenta a total integração consciente às leis de Deus. Sente-se cumpridor de missões, entregando-se a ocupações úteis ativas, através das quais goza a felicidade relativa.
A encarnação em mundos superiores se dá em contextos de matéria mais sutil, havendo mais consciência espiritual devido à menor interferência da matéria
O tempo entre uma encarnação e outra é variável. Em mundos superiores é quase imediata.
Durante a erraticidade o espírito pode vivenciar as consequências de suas escolhas menos adequadas, mas também pode estudar e se aprimorar, desenvolvendo competências que só podem ser desenvolvidas no mundo espiritual. Podem estudar o passado e procurar meios de elevação. Ouvem encarnados e desencarnados, inspiram-se pelos espíritos esclarecidos e desenvolvem ideias novas
As paixões humanas são conquistas espirituais que o acompanham na erraticidade e influenciam nas novas encarnações. Seu desafio de aprimoramento é o de abandonar as más paixões e o de cultivar as boas paixões. As más são características dos espíritos inferiores e as boas dos espíritos superiores; estas estão intimamente ligadas aos aspectos espirituais e aquelas aos aspectos materiais.
O grau de desprendimento da matéria determina o grau de liberdade do espírito na erraticidade. Uma vez desencarnado, o espírito consegue transitar entre os mundos de mesmo nível de desenvolvimento, embora entreveja os mundos superiores como estrangeiro, o que lhe desperta o desejo de aprimoramento.
Os espíritos puros são livres, mas visitam os mundos inferiores para auxiliar o progresso dos espíritos que os habitam.
-- Percepções, sensações e sofrimentos dos Espíritos - questões 237 a 256
Quando desencarna o espírito conserva as percepções de sua encarnação e as amplia devido à perda das restrições oferecidas pela matéria. Mais livre, ele consegue expressar melhor sua inteligência.
Os conhecimentos e percepções dos espíritos são proporcionais ao grau de adiantamento espiritual em que se encontram. Quanto mais próximos da perfeição, mais conhecimentos e maiores capacidades de percepção possuem.
A relação com o tempo se dá de forma diferente na erraticidade e varia conforme o grau de elevação espiritual. Eles não sentem os longos períodos de tempo da mesma forma que os encarnados e percebem o tempo presente de maneira mais ampla, conforme a elevação espiritual que possuam.
Sofrendo menor influência da matéria, temos a expressão da inteligência mais livre e, consequentemente, melhor funcionamento da memória. Mesmo assim, há limites desta memória. Não conseguimos remontar ao momento da criação.
Da mesma forma, a menor influência da matéria permite melhor compreensão do futuro. Entretanto, no limite do infinito, não é possível saber o que Deus nos reserva.
Percebe-se ainda que, embora tenham melhor compreensão do passado e do futuro, os espíritos superiores limitam o grau de informação que é revelada aos espíritos inferiores.
“Só os Espíritos superiores o veem e compreendem (a Deus). Os inferiores o sentem e adivinham.” - questão 244
"Quando um Espírito inferior diz que Deus lhe proíbe ou permite uma coisa, como sabe que isso lhe vem dele? - Ele não vê a Deus, mas sente a sua soberania e, quando não deva ser feita alguma coisa ou dita uma palavra, percebe, como por intuição, a proibição de fazê-la ou dizê-la." - questão 244 a
Percebemos a vontade de Deus através da fala de espíritos superiores
A percepção dos espíritos funciona além do continuum espaço-tempo, independe de aspectos materiais e energéticos (inclusive da luz), embora seja proposrrcional ao grau de adiantamento espiritual.
"... É uma espécie de lucidez universal que se estende a tudo, que abrange simultaneamente o espaço, os tempos e as coisas, lucidez para a qual não há trevas, nem obstáculos materiais..." - questão 247
A percepção do espírito relaciona-se à atenção que devota a um determinado aspecto existencial. O espírito percebe na medida que desloca seu foco de atenção para um determinado aspecto relacional da existência.
música celeste é tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber. Para os Espíritos elevados, há belezas de conjunto que, por assim dizer, apagam as das particularidades. - questões 251 e 252
Os espíritos perfeitos conhecem nossas necessidades e sofrimentos físicos porque os viveram, mas não os experimentam mais. Eles não sentem fadiga, não precisam de descanso corporal e a ação intelectual, a única de que se ocupam, não sustenta um foco constante sobre determinado objeto.
O sofrimento dos espíritos é de ordem espiritual e não de oredem física. Quanto mais elevados, menos sofrimentos os afetam
-- Ensaio teórico da sensação dos Espíritos. - questão 257
O corpo é o instrumento da dor. Se não é a causa primária desta é, pelo menos, a causa imediata.
A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito.
A lembrança que a alma conserva da dor pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física.
A ação material não pode desorganizar o perispírito
"... Um estudo aprofundado do perispírito, que tão importante papel desempenha em todos os fenômenos espíritas; nas aparições vaporosas ou tangíveis; no estado em que o Espírito vem a encontrar-se por ocasião da morte; na ideia, que tão frequentemente manifesta, de que ainda está vivo; nas situações tão comoventes dos suicidas, dos supliciados, dos que se deixaram absorver pelos gozos materiais; e inúmeros outros fatos, lançaram luz sobre esta questão, dando lugar a explicações que passamos a resumir."
"O perispírito é o laço que à matéria do corpo une o Espírito; é tirado do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria."
"É o princípio da vida orgânica, porém, não o da vida intelectual, que reside no Espírito."
"É ... o agente das sensações exteriores."
"No corpo, os órgãos, servindo-lhe de condutos, localizam essas sensações."
"Não se confundam, porém, as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo. "
"Libertos do corpo, os Espíritos podem sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral, como o remorso, pois que eles se queixam de frio e calor."
"Ensina-nos a experiência que, por ocasião da morte, o perispírito se desprende mais ou menos lentamente do corpo; que, durante os primeiros minutos depois da desencarnação, o Espírito não encontra explicação para a situação em que se acha."
"Crê não estar morto, porque se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele. Essa situação dura enquanto haja qualquer ligação entre o corpo e o perispírito."
"Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espírito por intermédio do perispírito"
"Uma vez morto, o corpo nada mais sente, por já não haver nele Espírito, nem perispírito."
"... se o Espírito não tivesse perispírito, seria inacessível a toda e qualquer sensação dolorosa."
"Sabemos que quanto mais eles se purificam, tanto mais etérea se torna a essência do perispírito, donde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride,..."
"Mas, dir-se-á, desde que pelo perispírito é que as sensações agradáveis, da mesma forma que as desagradáveis, se transmitem ao Espírito, sendo o Espírito puro inacessível a umas, deve sê-lo igualmente às outras."
"Entretanto, ele experimenta sensações íntimas, de um encanto indefinível..."
"Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões da matéria que conhecemos, referimo-nos aos Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não encontra analogia neste mundo."
"Outro tanto não acontece com os de perispírito mais denso, os quais percebem os nossos sons e odores, não, porém, apenas por uma parte limitada de suas individualidades, conforme lhes sucedia quando vivos."
"Haurido do meio ambiente, esse envoltório varia de acordo com a natureza dos mundos. Ao passarem de um mundo a outro, os Espíritos mudam de envoltório, como nós mudamos de roupa, quando passamos do inverno ao verão, ou do polo ao equador. Quando vêm visitar-nos, os mais elevados se revestem do perispírito terrestre e então suas percepções se produzem como nos Espíritos comuns de nosso mundo."
"Todos, porém, assim os inferiores como os superiores, não ouvem, nem sentem, senão o que queiram ouvir ou sentir. Não possuindo órgãos sensitivos, eles podem, livremente, tornar ativas ou nulas suas percepções."
"Nos primeiros instantes que se seguem à morte, a visão do Espírito é sempre turbada e confusa. Aclara-se à medida que ele se desprende, e pode alcançar a nitidez que tinha durante a vida terrena, independentemente da possibilidade de penetrar através dos corpos que nos são opacos. Quanto à sua extensão através do espaço indefinido, do futuro e do passado, depende do grau de pureza e de elevação do Espírito."
"Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muitos, contudo, são devidos à nossa vontade."
"Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas tribulações se forraria."
"O mesmo se dá com o Espírito. Os sofrimentos por que passa são sempre a consequência da maneira por que viveu na Terra."
"... notamos sempre que os sofrimentos guardavam relação com o proceder que eles tiveram e cujas consequências experimentavam; que a outra vida é fonte de inefável ventura para os que seguiram o bom caminho."
Breves considerações
1 - Percepção de tempo e espaço
Hoje, com a teoria da relatividade e o equacionamento do continuum espaço-tempo, talvez possamos pensar de maneira diferente sobre as questões temporais.
O Espaço-Tempo Explicado
https://www.youtube.com/watch?v=kJ5xNaSIeTI
A Relatividade Geral Explicada
https://www.youtube.com/watch?v=jYlr3G9yB8s
2 - Pensando sobre a questão 247
Considerando a teoria da relatividade e a suposta desconexão do espírito em relação ao continuum espaço-tempo, talvez o espírito perfeito perceba a realidade de forma absoluta, livre das comparações que considerem elementos referenciais nos contextos materiais e temporais em que se encontra.
3 - Ponto de vista
A perspectiva molda nossa realidade.
Ao mudar nosso ponto de vista, descobrimos novos significados e possibilidades no mundo ao nosso redor.
https://www.instagram.com/reel/C66DvJMgK2K/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
4 - Gravidade no Espaço-tempo
A teoria da relatividade geral de Einstein, formulada em 1915, revolucionou nossa compreensão do universo. Essa teoria descreve como a gravidade é resultante da curvatura do espaço-tempo causada pela presença de massa e energia. Einstein propôs que objetos massivos, como planetas e estrelas, curvam o espaço ao seu redor, alterando o caminho seguido por outros objetos.
https://www.instagram.com/reel/C4B4ZJVvbUS/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
5 - Einstein era um gênio
O que é a teoria da relatividade geral de Einstein?
24 maio 2019
A teoria da relatividade geral de Albert Einstein, publicada em 1915, revolucionou completamente a compreensão da ciência sobre o universo.
https://www.instagram.com/reel/Cxg6Tpdxv39/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
6 - Espaço tempo
Um buraco de minhoca é uma curta passagem no espaço-tempo que conecta diretamente dois universos ou duas regiões distantes dentro do mesmo universo.
Também conhecido como “Ponte de Einstein-Rosen”. De acordo com a teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, o espaço-tempo é “curvo”. Uma boa maneira de visualizar um espaço “curvo” é pensar em algo como uma folha de papel ou um lençol. Se você colocar algo pesado no meio do lençol em sua cama, ele desmoronará com o peso e você poderá ver a curva do lençol.
https://www.instagram.com/reel/C5dy9KCrIm_/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
7 - O tempo
Ao olhar para o céu, vemos o passado de objetos distantes porque a luz pode levar até milhões de anos para sair de um corpo celeste e chegar à Terra. Só podemos enxergar os objetos que nos cercam porque eles estão emitindo ou refletindo luz, que, ao atingir nossos olhos, proporciona a formação nítida de imagens.
https://www.instagram.com/reel/CsUu1icsp66/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
8 - Sobre a percepção física
"O que há, apenas, é que o cérebro guardou desta a impressão. Lícito, portanto, será admitir-se que coisa análoga ocorra nos sofrimentos do Espírito após a morte." - questão 257
"Outro tanto não acontece com os de perispírito mais denso, os quais percebem os nossos sons e odores, não, porém, apenas por uma parte limitada de suas individualidades, conforme lhes sucedia quando vivos."
Os campos mórficos e a semi-materialidade do perispírito talvez nos provoquem a pensar tais afirmações de maneira mais profunda.
Um bom conselho
"Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do envoltório corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse envoltório, não mais lhe sofrerá a influência."
questão 257
